terça-feira, 1 de setembro de 2009

"Esperar é reconhecer-se incompleto"

(ou ainda "Sob influencia de Alice")


O saber, ao mesmo tempo em que angustia, liberta. Hoje ele me libertou, quase sempre é o contrario.
Tenho uma necessidade de saber que me prende pela laringe, e se eu não engolir tudo aquilo que se apresenta a minha frente, por este mundo que é tão cheio de conhecimentos e músicas e poemas e arte e pessoas e todo o resto - se eu não sugar tudo isto - é como se meu coração não pudesse continuar batucando em melodia suave durante o resto do dia.
Curioso é que no momento exato em que me encho de conhecimentos do mundo meu coração bate no ritmo de um samba rock, porque o momento das descobertas não pode ter um ritmo puro e simples, é mistura, é pensamento confuso, é explosão. Então preciso sentir o bater do coração chegar até o diafragma pra então conseguir soltar a respiração.
Gosto de quando tudo me inquieta. Quando a música sobre o tempo me faz pensar na vida. Quando o poema engraçado me lembra o amor. Quando passa um lírio correndo pelos meus olhos e então é preciso sentir algo mais que o aroma. Quando meu passado me inquieta (ou o teu, ou o nosso, ou o passado do antepassado de um transeunte que de repente cruzou meu caminho). Quando a política, a estética, a ética, o caráter, a coragem, a vida, tudo, tudo e tudo... passa tão rápido e mesmo assim eu vejo que estão ligados (percebe?).
Todas as coisas e quase nada se ligam pelo mesmo fio, aquele da única reta que só pode passar por dois pontos, então é tudo assim tão destinado?
Algumas perguntas só o tempo responde.
Algumas vezes, o tempo é a própria pergunta!

“Peço-te o prazer legítimo/
E o movimento preciso/Tempo tempo tempo tempo/Quando o tempo for propício/Tempo tempo tempo tempo...
De modo que o meu espírito/Ganhe um brilho definido/Tempo tempo tempo tempo/E eu espalhe benefícios/Tempo tempo tempo tempo...
O que usaremos prá isso/Fica guardado em sigilo/Tempo tempo tempo tempo/Apenas contigo e comigo/Tempo tempo tempo tempo...”
Oração ao Tempo – Caetano Veloso


“A bonança nada tem a ver com a tempestade.” João Guimarães Rosa


“O Lírio foi dedicado à deusa Hera. Diz a lenda que quando Zeus uniu Hercules e Alceme, uma mortal, ele desejava que seu filho participasse mais plenamente da divindade. Para este fim, ele drogou Hera e quando ela dormia ele lhe deu o bebê. Ela teve o bebê colocado em seu peito e o amamentou. Hera acordou no surpresa e afastou o bebê. Gotas de seu leite se espargiram em todo o céu e formaram a Via Lactea. Algumas gotas caíram na terra e daquelas gotas nasceu o primeiro lírio.A lenda romana diz que quando Venus passou pela espuma do mar, ela viu um lírio e encheu-se de inveja da brancura e a beleza dele.Vendo o lirio como um concorrente para a sua própria beleza ela criou um enorme e monstruoso pistilo no centro alvo do lírio.”

“Sábio sempre foi Ulisses, que começou por se fazer de louco.” – João Guimarães Rosa

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